A especialista Maria Augusta da Costa Vieira falará sobre D. Quixote na Biblioteca Mário de Andrade.
O ciclo de palestras sobre romance de formação tem programação gratuita. Imperdível. Confira programação no site: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bma/noticias/?p=12000
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Rir e chorar com a mágica utopia de D. QUIXOTE DE LA MANCHA
Esse interessante programa, produzido pelo canal Discovery Civilization, além de realçar a riqueza da obra-prima de Miguel de Cervantes, sua complexidade e profundidade, traz à tona um autor que, à sua época, foi o que se poderia chamar de "celebridade pobre" e que já possuía um olhar crítico da sociedade, percebendo a realidade do mundo como um complexo arranjo (ou desarranjo), numa grande diversidade de classes e povos. Talvez a riqueza maior desse homem tenha sido o fato de que, assim como seu clássico personagem, Cervantes não perdeu a capacidade de reiventar-se e seguir na busca daquilo que seria mais nobre na alma humana, a capacidade de sonhar.
http://www.youtube.com/watch?v=fMy4lyZfAgE
http://www.youtube.com/watch?v=fMy4lyZfAgE
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
DON QUIJOTE, hijo de sus obras
O trecho de Miguel de Unamuno esclarece sobre o sentido de fidalgo, atribuído a Dom Quixote:
"Y luego se lo puso a si mismo, nombre nuevo, como convenía a su renovación interior, y se llamó Don Quijote, y con este nombre ha cobrado eternidad de fama. E hizo bien en mudar de nombre, pues con el nuevo llegó a ser de veras hidalgo, si nos atenemos a la doctrina del dicho doctor Huarte, que en la ya citada obra nos dice: "El español que inventó este nombre, hijodalgo, dio bien a entender...que tienen los hombres dos géneros de nacimiento. El uno es natural, en el cual todos son iguales, y el otro espiritual. Cuando el hombre hace algún hecho heroico o alguna extraña virtud y hazaña, entonces nace de nuevo y cobra otros mejores padres, y pierde el ser que antes tenía. Ayer se llamaba hijo de Pedro y nieto de Sancho; ahora se llama hijo de suas obras"
"Y luego se lo puso a si mismo, nombre nuevo, como convenía a su renovación interior, y se llamó Don Quijote, y con este nombre ha cobrado eternidad de fama. E hizo bien en mudar de nombre, pues con el nuevo llegó a ser de veras hidalgo, si nos atenemos a la doctrina del dicho doctor Huarte, que en la ya citada obra nos dice: "El español que inventó este nombre, hijodalgo, dio bien a entender...que tienen los hombres dos géneros de nacimiento. El uno es natural, en el cual todos son iguales, y el otro espiritual. Cuando el hombre hace algún hecho heroico o alguna extraña virtud y hazaña, entonces nace de nuevo y cobra otros mejores padres, y pierde el ser que antes tenía. Ayer se llamaba hijo de Pedro y nieto de Sancho; ahora se llama hijo de suas obras"
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
DOM QUIXOTE e a agudeza do furor
O texto do professor Claudio Bazzoni esclarece e aquece a leitura das aventuras do Cavaleiro da Triste Figura.
Leia aqui: http://www.usp.br/revistausp/74/14-claudio.pdf
Leia aqui: http://www.usp.br/revistausp/74/14-claudio.pdf
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
A leitura tem que "picar" o leitor?
Franz kafka (em carta a oskar pollak):
“No fim das contas, penso que devemos ler somente livros que nos mordam
e piquem. Se o livro que estamos lendo não nos sacode e acorda como um
golpe no crânio, por que nos darmos o trabalho de lê-lo? Para que nos
faça feliz, como diz você? Seríamos felizes da mesma forma se não
tivéssemos livros. Livros que nos façam felizes, em caso de necessidade,
poderíamos escrevê-los nós mesmos. Precisamos é de livros que nos
atinjam como o pior dos infortúnios, como a morte de alguém que amamos
mais do que a nós mesmos, que nos façam sentir como se tivéssemos sido
banidos para a floresta, longe de qualquer presença humana, como um
suicídio. É nisso que acredito.”
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Dom Quixote e Raskólnikov
E você, meu caro, o que está lendo no momento?
09/12/2010Vêm chegando as férias e com elas o direito às leituras renunciadas ao longo do semestre. Eu mais ou menos sei o que quero ler nesses momentos, não o livro exato, mas o tipo de leitura: em geral, a) os grandes clássicos universais, b) os autores vivos, mas também – como não? – c) as releituras.
Já me aconteceu várias vezes de voltar, por exemplo, ao delicioso Don Quijote de la Mancha, não ao livro todo, mas a trechos inesquecíveis, para os quais sinto necessidade de retornar, como quem volta a uma velha cidade conhecida. Com sua concepção de literatura como entretenimento[1] e seu “escribo como hablo”, Cervantes é um autor agradabilíssimo. Sua sintaxe flui, provocando risos e sorrisos: solta, colorida. E vale a pena, mesmo para alguém tão inábil com línguas estrangeiras como eu, a aventura de ler ao menos alguns trechos em espanhol. A criatura de Cervantes – El ingenioso hidalgo Don Qvixote de La Mancha – inaugura o conflito central do herói das narrativas modernas: o descompasso entre o ser e o meio, a cisão entre o desejo e a realidade, conflito que é o de Werther (Os sofrimentos do jovem Werther, Goethe), o de Julien Sorel (O vermelho e o negro, de Stendhal), o de Ema Bovary (Madame Bovary, de Flaubert) e o de Raskólnikov (Crime e castigo, de Dostoiévksi), para ficar em alguns exemplos expressivos.
Li o Quixote aos vinte e tantos anos, com indicação e orientação da grande professora Maria Augusta da Costa Vieira, autora de um trabalho maravilhoso sobre a obra de Cervantes[2], o qual ampliou e deu significado ainda mais especial à minha leitura. Li a tradução de Sérgio Molina, na belíssima edição bilíngue da Editora 34, com ilustrações de Gustave Doré e excelente apresentação da própria Maria Augusta Vieira.
Convivo com o fidalgo de La Mancha por meio de outras personagens, reencontro-o no singelo Policarpo Quaresma (Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto), no divertidíssimo Geraldo Viramundo (O Grande Mentecapto, de Fernando Sabino) e entre dezenas de sonhadores incompreendidos, soterrados pelo pragmatismo e atropelados pela anomia moderna.
Crime e castigo é outro livro ao qual sempre retorno. Li-o três vezes. A primeira leitura foi ardorosa e provavelmente bastante ingênua, aos dezessete anos. Uma tradução indireta, do escritor Marques Rebelo, já que na época não existia esse grande volume de traduções diretas do russo. Daquela primeira leitura, as recordações são vivas. Lembro-me até dos lugares onde me sentei para ler: praças, terminais de ônibus, a mesa da cozinha de casa. Uma experiência fulminante. Riquíssimo foi o reencontro, mais de dez anos depois, pela tradução direta do russo, realizada pelo grande Paulo Bezerra. Ao contrário do riso, que salpica o trágico percurso de Quixote, a companhia de Raskólnikov provoca desassossego, desamparo, tristeza, paixões desesperadas. E mesmo assim é uma grande companhia, cujos ensinamentos calam profundamente. Pela técnica de Dostoiévski, que prima em dar voz a várias personagens, oferecendo assim diversos ângulos sobre os fatos do enredo, fica difícil classificar como secundárias as figuras de Razumíkhin, Sônia ou Svidrigáilov, pois têm um sentido profundo no enredo e oferecem, tanto quanto o herói, possibilidades de leitura da realidade. Por isso Raskólnikov é também o que dizem e pensam sobre ele as outras personagens da narrativa. A companhia então, nesse caso, se alarga: é uma galeria de pessoas que passam a fazer parte de sua vida. Sempre que me perguntam qual o livro de que mais gosto, respondo sem titubear: Crime e castigo. Não quer dizer que seja a pura verdade, mas quer dizer alguma coisa.
(disponível em http://prefaciocultural.wordpress.com/tag/editora-34, acesso em 7/12/12)
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